Quem sou eu?
Nesta altura da vida, já não sei mais quem sou... Vejam só que dilema! Na ficha da loja sou cliente, no restaurante freguês, quando alugo uma casa inquilino, na condução passageiro, nos correios remetente, no supermercado consumidor. Para a Receita Federal contribuinte, se vendo algo imoportante contrabandista. Se revendo algo sou muambeiro, se o carnê tá com o prazo vencido inadimplente, se não pago imposto sonegador. Para votar eleitor, mas em comícios massa, em viagens turista, na rua caminhando pedestre, se sou atropelado acidentado, no hospital paciente. Nos jornais viro vítima, se compro um livro leitor, se ouço rádio ouvinte. Para o Ibope espectador, para apresenador de televisão telespectador, no campo de futebal torcedor, se trabalho na ANATEL sou colaborador. Se sou corinthiano, SOFREDOR. Agora, já virei galera. E, quando morrer... uns dirão... finado, outros... defunto, para outros... extinto, para o povão... presunto. Em certos círculos espiritualistas serei desencarnado, evangélicos dirão que fui arrebatado.
E o pior de tudo é que pata todo governante sou apenas um imbecíl! E pensar que um dia já fui mais eu.
(Luiz Fernando Veríssimo)
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